Quem lê / Who's reading

sábado, 20 de dezembro de 2014

Carta do Pai Natal


Oh, Oh, Oh!
Olá, meninos adultos!!
Lembram-se de mim? Não, não estou a falar da figura no centro comercial, ou nos filmes de Hollywood ou impressa nos papéis de embrulho para o Natal…
Pergunto se se lembram de mim, o pai Natal, aquele a quem escreviam cartas a pedir um presente, o que estacionava o trenó no telhado e descia pela chaminé abaixo. O velhinho das barbas, eu mesmo!
Eu sei que alguns de vocês se lembram de mim. Vocês, que sorriem quando vêm as luzes de Natal a acenderem-se. E vocês, que voltam a ser crianças quando fazem a árvore de Natal e enquanto escolhem os enfeites. E vocês, que ao oferecerem presentes no Natal, sentem aquele calor no coração, igual ao que eu sinto na noite de Natal.
A vocês, eu poderia escrever, mas eu sei que vocês sabem que eu vos visito todos os Natais, e que vos deixo algo para afagar esse espírito que têm no coração. E vocês sabem também que estão dentro do meu coração.
Na realidade, esta carta é para os meninos adultos que já não se lembram de mim e, especialmente, para aqueles que nunca me escreveram.
Talvez alguns de vocês já se achem grandes demais para acreditar no Pai Natal e por isso não queiram perder tempo com todas essas coisas.
Bom, confesso-vos que isso me deixa um bocadinho triste… Porque o vosso lado criança é uma das melhores coisas que existem dentro de vocês. Não se lembram como eram felizes quando podiam ir brincar ou quando acreditavam que criaturas mágicas se escondiam no vosso jardim ou no vosso quarto? Lembram-se do que sentiam no Natal quando ouviam o “Oh, Oh, Oh”? Bem sei que agora há a azáfama toda, a correria para comprar todas as prendas antes do dia 24 – algumas no dia 24 – a preocupação a olhar para o extrato do Multibanco antes de ir comprar a seguinte. E depois, ainda falta comprar a comida para a ceia de Natal e preparar tudo. E, e, e…
E se parássemos só por um bocadinho? Pergunta-te: porquê toda essa preocupação? Não podes comprar o presente caro que querias? A pessoa a quem ias comprar vai ficar triste? Tu ficarás triste? Porquê? Já te perguntaste? Experimenta, pelo menos este ano, uma coisinha: compra o presente que podes comprar, mas compra algo que sabes que a outra pessoa vai gostar. Pode até ser algo simples. Se não puderes comprar, faz-lhe algo. Aposto que vai ser uma prenda ainda mais especial.
E, acima de tudo, não te esqueças do mais importante de tudo: ao ofereceres o presente, acompanha-o de um abraço sincero?  sentido.
Se não puderes comprar ou fazer m ais nada, esse pode até ser o único presente. Pode parecer-te pouco. À outra pessoa pode também parecer pouco a princípio. Mas… e se eu disser que esse presente irá deixar uma marca mais duradoura que qualquer um que possas embrulhar? Parece-te estranho, eu sei. Mas porque não tentas? Mas tenta de coração aberto, de outra forma não me darás oportunidade de mostrar que tenho razão.
Peço-te apenas um pequeno acto de fé. E nem é em mim, é em ti.
Depois me dirás… Ou não digas, se não o quiseres. Guarda o que sentires para ti. Mas depois não te esqueças desse pequeno fogo que te aqueceu o coração. E busca-o no resto do ano. Chama-o tantas vezes quantas as que quiseres e conseguires…!
Talvez no próximo ano já acreditem um pouco mais em mim. Ou talvez não. Mas eu ficarei feliz se já acreditarem um pouco mais em vocês!
Vou aproveitar ainda esta carta para falar também com outros meninos-adultos. Aqueles que não gostam das prendas que recebem e que, por isso, já desitiram de mim.
Entendo que às vezes seja frustrante pedir uma coisa e receber outra. Mas, sabem, eu gosto de dar prendas úteis. Úteis no sentido de ajudarem a conseguir algo – que devem sempre ser vocês a conseguir – ou no sentido de vos ensinarem algo.
Sei que não é assim que se entendem alguns presentes, à primeira vista. Mas agora que leram esta revelação, digam-me lá se, olhando para trás, não receberam presentes que traziam estas benesses atrás?
É esse o meu desafio: da próxima vez que receberem algo de que não gostem tanto, perguntem a vós mesmos o que pode aquele presente ensinar-vos ou trazer de bom, ao fim de um tempo!
E, finalmente, ainda há quem, por vezes, receba o famoso pedaço de carvão. Pois é, parece um presente pequeno, inútil e sem graça. Ainda por cima é associado aos meninos que se portam mal. Mas eu tenho a dizer-vos que não é essa a intenção. Eu não quero castigar-vos. O pedaço de carvão é apenas uma mensagem… Se um pedaço de carvão está apagado e sem vida, também é verdade que ainda não é cinza. E que com um pedaço de calor e um pouco de fogo, voltará finalmente à vida e ele próprio a produzir fogo e calor. E assim são também vocês. Assim somos todos nós, com o potencial de sermos chama viva. É esse o desafio que vos deixo, caso encontrem um pedaço de carvão no sapatinho: que o reavivem com a vossa luz. E não me digam que não a têm, porque têm! Pode até estar diminuída e mal se ver, mas não está extinta. E basta um pequeno sopro para que ela se reavive.
E isto vale para todos vocês, meninos-adultos. Mesmo para os que não receberam carvão. Nunca se esqueçam da vossa luz!
E para que ela se fortaleça, já acendi a luz do Natal e mando-a para todos, para que ilumine o vosso coração e lá viva durante todo o ano!
Feliz Natal!
S. Nicolau



*.* * *‎. *.* * *  *.* * *  *.* * *  *.* * *


Desejo a todos um Feliz Natal e uma passagem de ano a adivinha um excelente ano novo!

Da minha parte, volto em 2015! :)


Este texto foi também publicado nos Instantâneos a preto e branco. para quem segue os dois blogs, pelo desculpa pela repetição, mas quis mesmo dar voz ao velhinho de barbas brancas! ;)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Escravo, quem te libertará?

Erik Charlton
"Se tivesses um escravo, libertá-lo-ias?" - Foi esta a pergunta de uma das personagens de um filme que vi há dias. 

Não te pergunto o mesmo. Pergunto-te antes, a ti que te sentes escravo e que sabes qual a resposta a esta pergunta... Sabes quem é a única pessoa que pode libertar-te, não sabes?"


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Pensamentos apenas IX

Foto: www.pixabay.com

E se não existir início nem fim e tudo for uma eterna viagem para desfrutar e aprender? 

sábado, 22 de novembro de 2014

Prémio Infinity Dreams - 2014


Foi com um grande sorriso e muita gratidão que recebi da Cássia Torres, do blog http://palavrasconstroemedestroem.blogspot.pt o prémio Infinity Dreams - 2014!
         
O prêmio,  possui as seguintes regras :
1. Colar a imagem do prêmio no seu blog
2. Deixar um comentário no blog que me citou
3. Responder a onze perguntas 
4. Publicar e compartilhar
5. Indicar onze blogs e/ou pessoas ao prêmio

Perguntas e minhas respectivas respostas:

1- Cita a frase que te define:

" Quando eu nasci / Tentaram prender-me em mim / Ah, mas eu fugi" - Fernando Pessoa (Acho que posso citar em verso ;) )
2. Preferes ler livros de papel ou em formato digital?
Talvez por uma questão de hábito, prefiro livros em papel. Em formato digital, leio habitualmente os blogs que citarei abaixo.
3. Gostarias de trabalhar no mundo da escrita ou preferes que seja um passatempo?
Ora, ora, perguntinha interessante! Há uns anos atrás, diria que prefiro o passatempo... Mas não é que a carolice se está a transformar em paixão ( e das sérias)?? O tempo o dirá...! :)
4. Que livro te fez chorar?
Já libertei algumas lágrimas sobre mais que um dos volumes que tenho na minha estante... Não citarei títulos, mas direi que todos os títulos que falam da e para a alma.

5. Que escritor gostarias de conhecer?
Pessoa, o eterno Pessoa! Desencontrámo-nos nas vidas, mas gostaria de ter conhecido a pessoa e o poeta!

6. Que usuário de Google visitas?
Vários!

7. Dirias que a literatura mudou a tua vida?
Claro! Como leitora, a literatura enriquece-me diariamente e ajuda-me a crescer. Como escritora, dá-me ASAS! 
8. Como descreves teu blog?
O meu lar literário e o meu primeiro voo.
9. Participaste de algum concurso?
Sim, mas ainda passinhos pequenos .

10. Há quanto tempo começaste a escrever?
Escrevo desde que me lembro. Talvez desde a composição "Se eu fosse uma árvore", que resgatei há tempos no sótão da casa dos meus pais! Nos blogues, desde 13-03-2011, quase 4 aninhos!

11. O que mais gostas no meu blog?

Ser um lugar onde os sentimentos fluem e falam connosco!

Lista dos amigos que cito para receber este prêmio:

  
Carlos Saramago em Carlos Saramago  http://carlos-saramago.blogspot.com/
Danka Maia em Danka Machine Blog - http://dankamachine.blogspot.pt/
Daniel Cândido da Silva em Sair das Palavras - http://sairdaspalavras.blogspot.pt
JR Viviani em Vendedor de Ilusão - http://vendedordeilusao.blogspot.pt/
Lilá(s) em Perfume de Jacarandá - http://perfumedejacarand.blogspot.pt/
Mona Lisa em Fardilha’s - http://fardilhas.blogspot.pt
Neo OneEon em Neo OneEon - http://neooneeon.com.br/
Ruthia Portelinha em o Berço do Mundo - http://bercodomundo.blogspot.pt/
Ricardo Alves em Luz no Papel - http://iamfotonico.blogspot.pt/
Tossan em Klictossan - http://klictossan.blogspot.pt/
Rui Pascoal em Tinta com Pinta - http://tintacompinta.blogspot.pt/

Não deixem também de visitar o blog da Cássia, e de sonhar por lá um pouco:


Palavras constroem e destroem:

sábado, 8 de novembro de 2014

Pensamentos apenas VIII

Kawika Singson, simplicity


Uma gota de chuva caída na folha de uma planta, à espera de ser absorvida pelo sol. Um momento de beleza.

Porque nos concentramos tanto no que o mundo tem de triste?


Isa Lisboa

domingo, 28 de setembro de 2014

Pensamentos apenas VII

E se num dia de sol desatar a chover… 

Olha à tua volta e procura o arco-íris.

Foto: Arco Íris sobre Dublin_bea y fredi

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Um dia de verdade de Neo One Eon lido por Isa Lisboa


Apresento-vos o último livro que li: Um dia de Verdade, de Neo One Eon, colega do Blog Pense fora da caixa

Leia integralmente as minhas impressões sobre o livro, aqui: 



"Talvez esta descrição seja enigmática, mas “Um dia de verdade” é um daqueles livros que falará por palavras diferentes a cada um que o ler, e é por isso que recomendo a sua leitura."

sábado, 2 de agosto de 2014

Número

Foto: Google
Número do cartão de cidadão

Número de identificação fiscal

Número de identificação bancária

Número de eleitor

Número da carta de condução

Número do prédio e da porta

Número de telemóvel

Nº do talão de desconto

Número de cliente da loja X, da loja Y, da loja...

Número de...


Afinal... Somos mesmo só números...!


Ou... É isso que os n6m3r0s nos querem fazer pensar?




sábado, 26 de julho de 2014

Mudanças

Se mudarmos um pequeno detalhe no ambiente à nossa volta, logo tudo se altera para além dos centímetros alterados... 

Imaginem mudar um pequeno detalhe na nossa vida? 

;)


domingo, 6 de julho de 2014

Pensamentos apenas V

Imagem: Google

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Por que janela olhas?

Pela que construíram para ti?

Ou pela que abriste sobre ti próprio?

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sábado, 7 de junho de 2014

Pensamentos apenas IV

Free souls embrace_ Pink Sherbet Photography

Quando precisamos, há sempre uma mão que se estende. Resta depois a nossa opção de a agarrar ou de fechar a nossa própria.

sábado, 10 de maio de 2014

Raízes

Há dias decidi mudar de vaso uma das plantas da minha varanda. Era uma tarefa que tinha vindo a adiar... O vaso estava já meio partido, já há algum tempo que a terra daquela planta não era trocada. Precisava mesmo do transplante. Mas a planta continuava a aparentar estar bem, continuava verde, parecia saudável. Não me parecia urgente.

Mas ao libertá-la finalmente daquele vaso, vi que que a sua base se tinha tornado num vaso de raízes. Pesadas. Apertando-se umas às outras. Pareciam sufocar a própria terra, a tal ponto que parecia não haver espaço para ela. E algumas das raízes estavam secas e sem vida. Puxei-as, e algumas cederam com facilidade. Assim encontrei também espaço para retirar a terra que envolviam. 

Neste momento, a planta já está num vaso novo, com terra nova. E, parece-me a mim, mais feliz e mais saudável. Com as raízes que estavam saudáveis. Que parecem estar a fincar-se bem à terra. Pelo sim, pelo não, vou dando uma vista de olhos mais atenta nos próximos tempos.

E, enquanto isso, parti o meu próprio vaso e ando à procura das raízes que já não são minhas e que já não levam a seiva. Depois é só ter força para as arrancar. 

Foto: por Isa Lisboa



domingo, 4 de maio de 2014

Ainda a Liberdade

Foto: correntes-paraty_Ricardo Castro
…Ainda a liberdade.
Vi há pouco tempo o filme Rio 2. Uma das personagens tem-me feito pensar, especialmente nestes dias recentes em que celebramos dias representativos de renovação e liberdade.
O personagem era um papa-formigas que trabalhava para um humano num mercado de rua, dançando para os turistas. Estava preso à bancada em cima da qual exibia, sob ameaça esse seu talento.
Na banqueta ao lado, actuava um dos vilões da história que, após algumas peripécias, acaba por se libertar, a ele e aos outros animais do jugo humano.
Ora é aqui que a reviravolta na história não se dá para o nosso papa-formigas.
Porque a partir daqui ele continua a acompanhar o vilão e fica agora refém das ordens deste, sem sequer precisar de corda.
Desde transportá-lo no dorso até seguir as suas ordens em tarefas de vingança, o papa-formigas encontra um novo opressor, sem parecer perceber isso e, até, aceitando a sua sorte.

Sendo esta personagem uma caricatura, ainda assim tem-me feito perguntar: E nós, lidamos assim tão bem com a nossa liberdade?

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Liberdade, em Abril

Foto: Café Portugal



Liberdade. Esta palavra estava aqui a pedir-me caneta.
Pelo dia que é, certamente. Celebram-se 40 anos desde o dia em que Portugal gritou esta palavra ao som de “Grândola vila morena” e de “Depois do adeus”.
Nasci 5 anos depois de Abril e não sei vivê-lo como os militares e os militantes de Abril. Sei Abril pelos livros de história, documentários e séries históricas que têm feito presença na TV nos últimos tempos. Sei-o pelo que oiço contar de pessoas que viveram antes e depois de Abril. Que viveram a face que sempre me custará mais a compreender: a guerra colonial.
Juntando estes relatos, vejo pelo menos dois Portugais diferentes: o Portugal rural, onde uma sardinha era partilhada para dois. E a parte da cabeça, numa sardinha cortada acima do meio, era para quem a cortava. O Portugal dos homens que partiam, meses a fio, para trabalhar na capital. Dos meninos que com eles seguiam ainda cedo. Das meninas que ficavam para os trabalhos no campo, ajudando as esposas que ficavam.
Do campo que também conhecia a polícia política, que não queria desagravos com os agentes, a modo de não ser denunciado por algo que dissera, fosse com ou sem intenção.
E o Portugal das Universidades e de todos os meios onde a agitação e o inconformismo ia dormindo. E as prisões políticas, e o exílio. E ao longo de todo este Portugal, os livros da 1ªa e 4ª classe, ensinando como o Império é grande. Os livros que se liam debaixo da cruz pendurada na parede de frente para os alunos.
H´á muitas opiniões sobre Abril, uns acham que Abril se cumpriu, outros que ainda está por cumprir. Alguns que preferiam o tempo antes de Abril, outros que defendem que estamos melhor, ainda que o clima actual envolva alguma desilusão.
Eu que não sou filha de Abril, acho que Abril se cumpriu. Mas agora cabe a este Portugal que somos cumprir-se.

E, depois de Abril, sinto-me feliz por poder escrever estas palavras sem lápis azul.

domingo, 6 de abril de 2014

A Terra do Nunca

Foto: Google
Todos conhecem a história de Peter Pan e da Terra do Nunca. E eu acho que também todos nós já tivémos um lado Peter Pan, o menino que não queria crescer, e que na Terra do Nunca inventava novos jogos e pensamentos felizes, que o fizessem voar, sempre rumo a novas aventuras.
Também alguns conhecerão o filme "Hook", que conta que um dia ele não quis voltar à Terra do Nunca e ficou em Londres, onde casou com a neta de Wendy, com quem teve dois filhos. Com o passar dos anos, ele esqueceu-se de como se voava, de cantar como o galo, dos combates com os piratas, de tudo na Terra do Nunca.
Tornou-se em tudo um adulto diferente do Pan que tinha sido, um pai que começava a ficar cada vez mais ausente, um profissional que não olhava aos meios, desde que atingisse os fins.
Numa das primeiras cenas do filme, Wendy diz-lhe, triste, "Meu Deus, Peter, tornaste-te no Capitão Gancho!".
Um dia, os seus filhos são raptados e um bilhete manuscrito preso na parede acaba por levá-lo de novo á Terra do Nunca. Lá, deveria enfrentar o seu arquiinimigo, o Capitão Gancho. Só assim conseguiria salvar os seus filhos.
E é assim que, com a ajuda de Sininho e dos meninos perdidos, ele acaba por recordar como voar, cantar como o galo, e deixar a imaginação fluir.
Estas personagens têm algo de real, pois todos nós já fomos Peter Pan, e todos nós nos sentimos tentados a deixar-nos crescer como ele cresceu no filme "Hook".
Mas se é inevitável - e até necessário - que nos tornemos adultos, também acredito que devemos permitir-nos de vez em quando  até à nossa Terra do Nunca. Aquele lugar em que nunca crescemos, continuamos puros, e conseguimos voar ao invocar um pensamento feliz. Um lugar onde há piratas, mas em que combatê-los, será sempre uma grande aventura!
Por hoje, pouso a minha caneta e vou até lá! Espero encontrar-vos!

terça-feira, 25 de março de 2014

Pelas páginas de… De negro vestida, João Paulo Videira

Deixo-vos aqui dois excertos do livro que acabei de ler: De negro vestida, de João Paulo Videira, um escritor também das andanças da escrita na blogoesfera. Convido-vos a descobrir este seu romance, e as personagens que poderão, algumas delas, sentar-se ao nosso lado, tal como alguns pedaços de reflexão que certamente ajudarão a conhecer um pouco mais de nós mesmos.


“Habitam em nós pessoas diversas. Por vezes vivemo-las em simultâneo, aceitamos as contradições dos atos que decorrem de tal coabitação. Outras vezes, envolvemo-nos de tal forma e damos tanta preponderância a uma existência que as outras se apagam. Há mesmo pessoas que julgam ser só uma, una, indivisível e coerente. Depois, pela conjugação de circunstâncias inesperadas, pela exigência de termos de construir respostas às solicitações da vida, emerge o desconhecido, o oculto inquilino da nossa alma. E surpreende-nos. Ou não. Alguns de nós vivem um existência pressentindo outras. Outros, nem desconfiam que são capazes de sair de si para si.”

“Aprendereis, se quiserdes, que não há existências boas nem más, não há vidas vãs e não há mortes em vão. Tudo se conjuga em pequenos sentidos num sentido mais lato e global.”

segunda-feira, 17 de março de 2014

Mais uma segunda-feira

A velocidade impele a multidão, mas algo a abranda ao mesmo tempo...


Foto: Mo Riza

Mais uma segunda-feira.
Espero sentada nos mesmos bancos de todas as segundas-feiras.
Alguns rostos também são de todas as segundas-feiras, mas não os conheço.
A carruagem chega e pára, para me levar. A mim e aos outros rostos.
Ainda estou meia adormecida, saio por um pouco do mundo que sempre me povoa os pensamentos (ou os atormenta?) e olho à volta.
Também os outros rostos estão adormecidos.
À minha frente, um rosto lê o jornal, outro um livro, ambos adormecidos.
Ao lado, um rosto ouve música, adormecido.
Na ponta da carruagem, alguém se entretém com o telemóvel. Adormecido também.
Outros rostos apenas fixam um ponto no nada, adormecido também, o ponto, talvez.
A carruagem pára, meia multidão sai, divide-se em três, formando três pequenas multidões. A minha multidão volta a dividir-se, seguem alguns, eu saio já aqui. As cancelas abrem-se, também adormecidas me parecem.
A agora mais pequena multidão caminha, adormecida, difere na velocidade que a impele. Difere na resignação que a abranda.
Sigo também eu, ainda meio adormecida. Tenho tanto medo de me deixar adormecer mais…

.
Este conto foi publicado originalmente no Blog Pense fora da caixa, ao qual pode aceder aqui.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Pelas páginas de… Cancioneiro das lágrimas, Daniel Cândido da Silva

Já conhecia a escrita de Daniel Cândido da Silva, do seu blog que já sigo e acompanho há algum tempo.
Tive entretanto o prazer de adquirir o seu “Cancioneiro das lágrimas”, o seu livro de poesia.
Deixo-vos aqui dois dos poemas  que marquei:

“O teu poço

Porque esperas aplausos se
Dentro de ti não está ninguém?
As efémeras ovações das festas
Não te abraçam nos momentos sós,
Nem o ruído das mensagens
Te alenta em noite de agonia

Aos amigos, aqueles quue,
Não são número, à graça de
Os teres, e quanto a ti,
É sempre no teu próprio poço
Que encontrarás o espelho
Da lua, que te fará emergir
Da mais longa solidão…”

“Ondas

Lindo o mar calmo
E os lagos tranquilos,
Mas nem por isso
Desdenhes do
Movimento das ondas
Que te parecem engolir

Foi pela irrequietude
Com que serpenteavam
Em contínuo fluxo,
Que chegasse
À outra margem…”

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Regressos

Foto de Isa Lisboa
São cinco da tarde e ao longe oiço as badaladas do sino da igreja. 
Contra o branco da mesa de fora, estendem-se laranjas acabadas de colher.
Se fosse Verão, seriam pêssegos, ameixas e morangos e, ao contraste da cor, juntar-se-iam os aromas misturados.
Ao lado, e contrariando o vento e a chuva que ainda por cá estão, as camélias em flor, lembrando-me de um Abril há quase 30 anos atrás, quando ainda ficava bem de ganchinhos, e posar para a máquina de vestido novo era uma espécie de brincadeira.
Quando eu fiz cinco anos, as camélias estavam em flor, o rio estava calmo e o vestido era leve, devia estar um dia de sol quente.
Ao longo da vida, vamos descobrindo novas casas, algumas que fazemos nossas, outras que só alugamos.
Mas é sempre bom poder voltar à primeira casa e rever as flores da infância.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pelas páginas de… Caminhos, J. B. Xavier

Recebi de presente um livro com um nome sugestivo e com um conteúdo que lhe faz jus. “Caminhos”, um livro de contos que nos fazem reflectir sobre a vida e as suas facetas, e sobre nós próprios.
Partilho aqui convosco um dos contos de que mais gostei, porque tem várias mensagens que me parece importante interiorizar sempre.

Deixo também um grande obrigada à Claudiane, que me enviou este lindo mapa!



***
"Joãozinho era um garoto muito revoltado. O motivo principal de sua revolta era a extrma pobreza em que viviam. Sentia vergonha de usar na escola seu uniforme gasto, que sua mãe cuidadosamente passava horas remendando á noite, mal conseguindo ficar acordada, após um dia duro de trabalho como faxineira
E todos os dias Joãozinho reclamava da vida, e todos os dias ele ia para a escola com mais revolta por mais um remendo em seu uniforme. Pensou em desistir de estudare arranjar um emprego para ajudar nas despesas de casa. Desde que seu pai os deixara, há alguns anos, sua vida ficava pior a cada ano. Os lindos presentes de natal que sempre ganhava, haviam se transformado em pequenas barras de chocolate. Era tudo o que sua mãe conseguia lhe dar.
Joãozinho foi crescendo e se tornou um jovem revoltado com o Destino que o Céu lhe reservara. Mesmo com seu emprego de carregador num supermercado, ele não conseguia ganhar o suficiente para manter-se a si, sua mãe e seus dois irmãos mais novos.
Sua mãe já não conseguia mais trabalho devido á idade avançada, e assim, a única maneira de ajudar, era remendar as roupas dos filhos e cuidar para que estivessem sempre em condições de uso.
Por tudo isso, Joãozinho odiava remendos e sonhava com o dia em que poderia comprar roupas novas.
Mas, um dia, sua mãe faleceu repentinamente, e Joãozinho ficou com a responsabilidade de cuidar dos irmãos, tendo apenas 15 anos de idade. Triste pela morte da mãe, e sem ela para cuidar de suas roupas, ele ficou desesperado, porque pior que usar roupas remendadas era usar roupas rasgadas. Começou a perceber a importância do esforço que sua mãe fazia para mantê-los vestidos e percebeu como é difícil fazer um remendo bem feito.
Agora, só tinha sua namoradinha, Clarisse, para quem se queixar da vida, e graças a ela, que vinha de vez em quando remendar suas roupas e fazer comida para seus irmãos, foi possível continuar na escola e se formar. Ao contrário dele, ela nunca se queixava, e se limitava a cuidar dos três com extremo zelo. Pensou na coincidência de sua aparição em sua vida, justamente quando sua mãe se fora.
Agora, já formado, conseguiu um emprego melhor, e por ser uma pessoa extremamente persistente e trabalhadora, logo estava progredindo e deixando para trás os tempos das roupas rasgadas.
Uma pequena mão tocou no seu ombro, e uma pequena voz perguntou carinhosamente:
- Preocupado com alguma coisa?
Joãozinho olhou para Clarisse e para seus dois filhos brincando à distância no lindo gramado do jardim de sua maravilhosa casa de praia. Estava bebericando uma caipirinha e esperando por seus dois irmãos que viriam almoçar hoje com ele, juntamente com suas esposas e filhos. Pousou sua mão sobre a mão da esposa, e seus olhos marejaram.
- Sabia que você é uma grande costureira?
Clarisse o olho intrigada, sem entender.
- Ao remendar pacientemente, sem queixas, as nossas roupas, você fez o maior de todos os remendos. Remendou minha alma, curando-a da revolta e do ódio. Nunca conseguirei lhe ser grato o suficiente.
- Fiz mais que isso! – disse ela sorrindo enquanto sentava em seu colo. Com aquela linha e aquela agulha cosi você a mim para sempre!
Um beijo os uniu, enquanto a campainha tocava anunciando a chegada das visitas.”


O remendo, J. B. Xavier


domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Ponte



Por vezes a forma mais rápida de chegar a um lugar é abrandar e deixar os outros chegarem ao seu destino.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O que realmente queres?

“O que realmente queres?” – pergunta-me o trailler do filme.

É uma daquelas perguntas que é mais ou menos fácil responder rapidamente. Mas na realidade nem sempre acertamos na resposta.

Normalmente sabemos responder, é certo, mas e quando temos aquilo que queríamos, agiremos sempre como se fosse isso que desejávamos?

É fácil esconder aquele desejo – tão cheio de possibilidades, mas tão cheio de riscos. É possível esconder aquele desejo atrás de outro, que talvez chegue mais rápido, que preenche um cantinho.

Mas quando o realizamos… há ainda aquele outro espaço por preencher. Aquele espaço que nós mesmos olhamos, para não perceber que ele está lá.

Portanto… o que realmente quero? O que realmente quero?


E… para complicar mais ainda… O que realmente preciso?







Este texto foi originalmente publicado aqui, no Blog Pense fora da caixa, um espaço onde colaboro regularmente e que vos convido a visitar.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pelas páginas de... Até ao Fim, Vergílio Ferreira

Alguns livros ficam guardados na estante durante algum tempo até chegar o dia em que têm que ser de novo lidos. Com novos olhos, para descobrir novos detalhes ou ver alguns de outro ângulo.
Descobri Vergílio Ferreira na escola, com "Aparição". No meses seguintes, devorei vários outros títulos deste autor, pedidos emprestados na Biblioteca Municipal. Já na faculdade, comprei alguns títulos, que guardei em conjunto com aquele primeiro livro do autor.
Há tempos, tive vontade de o reler, e peguei no livro "Até ao Fim".
Não vou deixar um resumo da história, nem uma crítica literária (para a qual não estou habilitada), mas gostaria de partilhar convosco alguns excertos que, nesta segunda leitura (e alguns da primeira), mais me marcaram. 
Se estes excertos vos aguçarem a curiosidade de ler esta obra, espero que a apreciem tanto como eu.

***
"A felicidade não se mede pela quantidade do que nos aconteceu de agradável, mas pela quantidade de nós que responde ao que acontece. Nunca ficou nada em mim que não respondesse. E nas tintas para a filosofia."

***

"E que vamos lá fazer? Mas já to disse, vou fazer uma entrevista. Para quê? E aqui reparo que a pergunta é maior que eu. Tento preenchê-la como posso. E digo, e disse. Miguel portanto era miúdo, porque só quando se é pequeno é que se têm perguntas grandes."

***

"A vida é só ela a ser, sem argumentação. Há mais verdade numa couve que em toda a filosofia."

***

"Não me ponhas o pão com água, oh não, Tina. Cresci muito. Durmo já noites de homem. Nem botija no Inverno? Cresci já até aos ombros viris, tenho já a voz grossa, o que digo agora nela tem o peso do mundo, Tina. Estou já cheio de responsabilidades, tu não podes imaginar. Lutas ódios maldições. E os sonhos, que também pesam. E a estafa para atingir o futuro. E os desastres falhanços humilhações. E essa coisa esquisita dos «problemas de consciência». Não me perguntes o que isso seja, que também não sei bem, Tina. E os ideais com que embandeira a loucura. E o quotidiano que é chato por sua intrínseca natureza e que tem também o seu direito. E mesmo o amor, só é bom enquanto não é ou quando já não. como todas as coisas. E esta chatice absurda de só se gostar a valer do que nunca pode existir. E não me ponhas essa cara pasmada de quem viu o demónio em feitio de cabra à meia-noite, porque tudo o que te digo tem uma verdade solar como um dia de canícula. Ah, cresci demais para poderes existir. Em todo o caso não posso ainda existir todo para largar tudo de mão. Uns anos ainda, Tina. Estou bem confuso da vida - enquanto a sonata me envolve ainda de melancolia. Tenho a alma enregelada, se tu fosses ainda a botija. Estou cheio de horrores adultos e seria bom vir ainda de ti a pacificação."

domingo, 12 de janeiro de 2014

O que nos faz andar mais depressa?



De que serve sermos os mais rápidos, os mais inteligentes, os melhores, enfim – se quando precisamos dar um passo, não conseguimos?

Antes que tudo, o importante é a fé em nós mesmos!
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