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sábado, 16 de junho de 2012

O melhor amigo do Homem / Man’s best friend

Imagem da web
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Há algumas semanas, li uma reportagem bastante interessante sobre os cães. Aprendi uma série de factos curiosos sobre estes animais, como, por exemplo, o facto de conseguirem memorizar até 200 palavras.

Mas o que me chamou mais a atenção, foi uma outra curiosidade: os cães são os únicos animais que olham os humanos nos olhos. Os outros animais evitam o contacto directo com os olhos.

E apesar de nunca ter pensado nisso, parece-me que realmente é verdade. Talvez essa seja uma das razões que me faz gostar tanto de cães. Outra é a sua personalidade.

Já tive cães – os meus pais tiveram – e todos eles demonstraram uma personalidade própria.

O meu primeiro cão, o Pluto, tinha quase a minha idade, por isso não tenho recordações dele enquanto cachorro. Já na sua plena idade adulta – e na minha infância – era um cão temperamental, que para além dos donos, poucas pessoas deixava aproximar. Um enorme pastor alemão, ou pelo menos enorme parecia a uma miúda de sete anos. Um cão que gostava de se manter no seu espaço e que não gostava muito que o convidassem a brincar. Quando envelheceu, deu-se uma mudança, tornou-se mais afável e pedia-me muitas vezes festas.

Também ele me lembra dos seres humanos, quantas pessoas não conhecemos que perdem um pouco da sua dureza quando a idade começa a avançar sobre si…?

Depois, chegou o Black. Pude seguir a sua fase de cachorro, os momentos em que ia descobrindo o que o rodeava. Era um animal muito meigo e também muito perspicaz, se assim o posso dizer. Adorava brincar, mas quando percebia que eu estava triste e que precisava estar um pouco com o meu silêncio, vinha apenas deitar-se ao pé de mim, e ficava ali, a fazer-me companhia, pacientemente, até que eu decidisse levantar-me. Da mesma forma, também ele tinha momentos assim, em que eu o chamava para uma corrida e ele apenas me olhava, permanecendo deitado, com os seus pensamentos. Deixava-me também aproximar, ficar ali um pouco a fazer-lhe companhia, mas aqueles eram momentos seus. Quando ficou doente, anos depois, deixava-me passar as mãos pelo seu dorso, enquanto me ouvia a tentar animá-lo. Mas quando olhava para mim, eu via nos seus olhos que ele sabia, tanto como eu, que o que eu dizia escondia palavras de saudades antecipadas. Não o esqueci, mesmo depois de a tristeza se diluir um pouco.

Mais tarde, e quase ao mesmo tempo, conheci o Duque e o Jimbo, dois cachorros já com uma personalidade diferente nessa altura, quase antagónica, mas que não os impediu de se darem sempre bem.

O Jimbo era meio desajeitado em cachorro, com enormes patas, gostava de correr e de saltar. No meio de uma brincadeira, magoou uma pata e a sua expressão de aflição era angustiante. Aninhei-o no meu colo até a dor passar, e logo voltou a correr, como se nada tivesse acontecido. Enquanto crescia, mostrou-se sempre muito meigo, mas meio metido consigo. Quando se cansava de correr e saltar, ia para o seu cantinho. Um pouco contrastando com o Duque, verdadeiro “piolho eléctrico”, sempre a chamar toda a gente para brincar com ele. Apesar de se dar bem com o seu amigo, costumava “choramingar” quando achava que alguém lhe estava a dar atenção demais, e que agora era a sua vez de brincar. Eram ciúmes de amigos, amigos tanto eram, que partiram quase ao mesmo tempo...

Partiram todos os meus amigos de quatro patas, ficaram as memórias do seu companheirismo, do seu carinho incondicional, daquele que é tão difícil de encontrar. Ficaram saudades…

………..

A few weeks ago, I read a very interesting story about dogs. I’ve learned quite a few curious things about these animals, for example, the fact that they can store up to 200 words.

But what caught my attention the most, was another curiosity: dogs are the only animals that look directly at the human eye. The other animals avoid direct contact with our eyes.

And though I he never thought of that, it seems to me that it really is true. Perhaps this is one of the reasons that makes me so fond of dogs. Another is their personality.
I've had dogs - my parents had - and they all showed personality.

My first dog, Pluto, was almost my age, so I have no memories of him as a puppy. Already in its full adulthood - and in my childhood - it was a moody dog, who allowed few people near him, besides the owners. A huge German Shepherd, or at least it seemed huge to a little seven year old girl. A dog who liked to stay in his space and did not like much to be invited to play. When he grew old, there has been a change, he became more friendly and often asked me to pet him.

This also reminds me of human beings, who does not know those people who loose some of its hardness when age begins to advance on them...?

Then came Black. I could follow his young puppy phase, the moments he discovered that which surrounded him. He was a very gentle animal and also very insightful, if I may say so. He loved playing, but when he realized that I was sad and needed to be a bit by my silence, he would came and just lie down beside me, keeping me company, patiently, until I decided to get up. Likewise, he also had moments like this, when I called him to a race and he just looked at me, staying there, with his thoughts. He would let me get close, stay there a little to keep him company, but those moments were his. When he became ill, years later, we would let me pass my hands over his back, as I spoke to him, trying to cheer him up. But when he looked at me, I saw in his eyes that he knew, as I did, that what I said had hidden words of anticipated longing. I didn’t forget him, even after the sadness was a little diluted.

Later, and almost at the same time, I met Duke and Jimbo, two puppys, already with a different personality at the time, almost antagonistic. Not that this stoped them to always get along.

Jimbo was an awkward puppy with huge paws, who liked running and jumping. In the middle of a run, he hurted it’s paw and its expression of grief was overwhelming. I cradled him in my lap until the pain went away, and soon he returned to playing, as if nothing had happened. While growing up, he was always very gentle, but kind of keeping to himself. When he was tired of running and jumping with us, he went to his corner. Somewhat in contrast with Duke, a truly "electric lice," always calling everyone to play with him. Although getting along with his friend, he used to "whine" when he thought someone was giving him too much attention, and that now it was his turn to play. It was friendly jealous, there was so much friendship between them, that they left at about the same time...

They left, all my four legged friends, but the memories of their friendship remain, of their unconditional love, the one so hard to find. I do miss them...

26 comentários:

  1. Isa,
    Tenho uma schnauzer gigante, a Pretinha, que é companhia fantástica. Quando ando a cuidar da horta senta-se a observar-me, e ó se desloca quando também o faço.
    Sou um fã de cães, naturalmente!

    Beijo :)

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  2. Nos animais e nos cães em particular, espelha-se aquela máxima "once a fiend, always a friend" :)

    :)

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  3. eu gosto muito de cães
    mas fui adotada por um gato

    nada a fazer, é uma outra forma de fidelidade

    um beijo

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    1. Os gatos também são animais com uma personalidade própria e muito forte!
      Beijos

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  4. eu gosto de cães e na casa dos meus pais, tivemos vários.

    mas, sempre gostei mais de gatos, e no momento nem digo quantos tenho que nesta época de crise é quase um luxo ter animais domésticos.

    mas gostei muito do teu texto.

    obrigada!

    beij

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  5. Também gosto muito de gatos, mas talvez pela convivência, sempre me identifiquei mais com os cães. Neste momento, não tenho nenhum, vivo num apartamento agora e ainda não me convenci a ter um cão cá...
    Beijos e boa semana.

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  6. OI ISA!
    GOSTEI DE TE LER PORQUE ADORO CACHORROS, SEMPRE OS TIVE,NO MOMENTO TEMOS UMA LHASA, A CANDY, É NOSSO XODÓ E ALEGRIA.
    ABRÇS

    zilanicelia.blogspot.com.br/
    Click AQUI

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    1. :) Que bom que tem amiga assim!
      Obrigada, beijos!

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  7. Adoro esses bichinhos, eles comandam nosso coração.

    beijos!

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  8. Bem que compreendo, pois também eu já tive 3 amigos de quatro patas, todos eles já partiram, e agora não consigo ter mais nenhum, tal o receio de sofrer com a sua perda. Os cães são gente fabulosa...

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    1. Gente fabulosa: uma excelente caracterização! :)
      Obrigada

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  9. Não é por acaso que dizem que o cão é o melhor amigo do Homem.
    Cresci no meio de cães e sei, por experiência própria, que são animais muito interessantes (desde que bem criados...).
    Isa, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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  10. obrigada pela tua publicação...

    muitas vezes quando quero chamar o meu pássaro dou por mim a chamar o meu cão que já morreu, e muitas são as vezes que sonho com ele

    percebo tudo o que dizes na perfeição

    beijo

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  11. Eu é que agradeço as tuas palavras...
    Um beijo

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  12. Também gosto de animais. Tenho 2 gatos e um cão. Foi bom ler o texto, pois aprende-se sempre.São uns amigas, uma companhia.
    Abraços.
    M. Emília

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    1. É bom ter três amigos assim!
      Obrigada pela visita!
      Beijos

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  13. :)
    também tenho um amigo destes. Já tinha percebido que memorizam palavras, nunca pensei é que fossem tantas...

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    1. Também fiquei surpreendida com o número...! Mas só ajuda a constatar que são criaturas formidáveis!

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