Quem lê / Who's reading

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Pontos de vista


Este vestido tem feito correr tinta na internet, pelo simples facto de que algumas pessoas não têm dúvidas de que o vestido é branco e dourado e outras, como eu, vêm-no azul e preto.

São já avançadas algumas explicações, (por exemplo aqui). Terá a ver com a constituição do globo ocular de cada um de nós e com a forma como cada um de nós reage e processa a luminosidade.

Ou seja, ambos os "lados" parecem ter razão, por mais estranho que possa parecer imaginar que alguém vê branco e dourado onde eu vejo azul e preto.

Pôs-me esta polémica a pensar que haverá por aí muitso vestidos destes. Deixo-vos, por isso, uma sugestão de exercício. Da próxima vez que entrarmos numa troca de argumentos com alguém, em que não se chegue a acordo de forma a alguma... Lembremo-nos deste vestido! ;)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Pelas páginas de… O outro pé da sereia, Mia Couto


Já conhecia alguns excertos de obras de Mia Couto e algo me dizia que ia gostar muito de ler este autor.

Felizmente, estava certa! Li recentemente o meu primeiro romance de Mia Couto, "o outro pé da sereia.". Descobri um mundo entre o real e o irreal (ou pelo menos o que achamos que é irreal), um daqueles mundos que tanto gosto de ler.

Partilho aqui convosco algumas das frases que retive:

"A melhor maneira de fugir é ficar parado.
(...)
A melhor maneira de mentir é ficar calado."

"só é olhado pelo céu quem olha as estrelas."

"- Não é morrer que me dói. O que me dá tristeza é ficar morto."

"A viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores."

"- Uma casa morre, se não é habitada com amor.
(...)
- O mal é que nós não habitamos estas casas, apenas as ocupamos.
(...)
- Ocupámo-las como intrusos, como se elas fossem definitivamente propriedade dos outros, prossegiu Arcanjo. Queremos ter o gosto de usufruir, sem a responsabilidade de possuir."

"A melhor maneira de não morrer quimado é viver dentro do fogo."

"A vida são fósforos, acendendo-se em outros, que se apagam."

"A viagem termina quando encerramos as nossas fronteiras interiores."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Medo - Inimigo ou sinal?

Foto: www.pixabay.com

À medida que o sonho se espraia à nossa frente, realizando-se passo a passo e materializando-se um dia de cada vez, somos invadidos pos sensações de expectativa, entusiasmo e antecipação. E é então que, inesperadamente, do fundo do estômago, surge o medo. Não entendemos porquê. Porquê naquele momento. E por vezes só queremos explusá-lo à paulada e outras vezes ficamos ali, a olhar o abismo da dúvida, e perguntamo-nos se o medo terá razão e se será melhor voltar atrás.

Mas...e se o medo apenas estiver ali para ver a nossa reacção? A desafiar-nos a desafiá-lo? Ou - ideia ainda mais estranha, a que me ocorre - a dizer-nos que aquele é o caminho certo? Afinal, se não for importante, se não for o caminho que preciso, porque terei medo de o perder?


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Caminhar

Desde que Caminhemos, o Caminho acabará por se revelar.

Mas não esqueçamos da palavra mais importante desta frase: Caminhar. 

Porque haverá quem nos alumia o caminho, quem no-lo indica, quem até nos segure na mão, apoiando-nos na travessia. 

Mas Caminhar, apenas cada um de nós o pode fazer!

Foto: Autor não identificado



domingo, 4 de janeiro de 2015

Imensidão

Cliffs of Moher, Ireland


Esta foto foi tirada na Irlanda, há alguns anos atrás. São os Cliffs of Moher, magestosas falésias na costa da Irlanda do Sul. Subindo ao cimo do promontório, somos brindados com uma vista de tirar a respiração, com uma enorme extensão de azul vindo do Atlântico e do céu, ambos de encontro a uma extensão de rocha que se diria um gigante adormecido.

Lá em cima, o vento é forte, chamado talvez pelas águas, talvez pela falésia. Sentimos que, se abrirmos o suficiente os braços e nos deixarmos ir, poderemos voar com o vento.

Quando há semanas falei sobre esta viagem e esta visita em particular, recordei a sensação de me ter sentido pequenina perante tamanha imensidão e paz.

Hoje, olhei de novo para esta foto e fechei os os olhos, procurando recordar-me lá. Ainda estava a sensação de pequenez, mas desta vez acompanhada por uma sensação nova de ser eu própria imensa! Porque, se faço parte de um planeta que tem em si tamanha beleza e grandiosidade, e ainda e um Universo tão maior e tão mais cheio de ambas... Não serei eu também imensa? Não serás tu imenso(a)? Não seremos todos?

Com esta pergunta vos deixo os meus desejos de imenso e feliz 2015! :)


sábado, 20 de dezembro de 2014

Carta do Pai Natal


Oh, Oh, Oh!
Olá, meninos adultos!!
Lembram-se de mim? Não, não estou a falar da figura no centro comercial, ou nos filmes de Hollywood ou impressa nos papéis de embrulho para o Natal…
Pergunto se se lembram de mim, o pai Natal, aquele a quem escreviam cartas a pedir um presente, o que estacionava o trenó no telhado e descia pela chaminé abaixo. O velhinho das barbas, eu mesmo!
Eu sei que alguns de vocês se lembram de mim. Vocês, que sorriem quando vêm as luzes de Natal a acenderem-se. E vocês, que voltam a ser crianças quando fazem a árvore de Natal e enquanto escolhem os enfeites. E vocês, que ao oferecerem presentes no Natal, sentem aquele calor no coração, igual ao que eu sinto na noite de Natal.
A vocês, eu poderia escrever, mas eu sei que vocês sabem que eu vos visito todos os Natais, e que vos deixo algo para afagar esse espírito que têm no coração. E vocês sabem também que estão dentro do meu coração.
Na realidade, esta carta é para os meninos adultos que já não se lembram de mim e, especialmente, para aqueles que nunca me escreveram.
Talvez alguns de vocês já se achem grandes demais para acreditar no Pai Natal e por isso não queiram perder tempo com todas essas coisas.
Bom, confesso-vos que isso me deixa um bocadinho triste… Porque o vosso lado criança é uma das melhores coisas que existem dentro de vocês. Não se lembram como eram felizes quando podiam ir brincar ou quando acreditavam que criaturas mágicas se escondiam no vosso jardim ou no vosso quarto? Lembram-se do que sentiam no Natal quando ouviam o “Oh, Oh, Oh”? Bem sei que agora há a azáfama toda, a correria para comprar todas as prendas antes do dia 24 – algumas no dia 24 – a preocupação a olhar para o extrato do Multibanco antes de ir comprar a seguinte. E depois, ainda falta comprar a comida para a ceia de Natal e preparar tudo. E, e, e…
E se parássemos só por um bocadinho? Pergunta-te: porquê toda essa preocupação? Não podes comprar o presente caro que querias? A pessoa a quem ias comprar vai ficar triste? Tu ficarás triste? Porquê? Já te perguntaste? Experimenta, pelo menos este ano, uma coisinha: compra o presente que podes comprar, mas compra algo que sabes que a outra pessoa vai gostar. Pode até ser algo simples. Se não puderes comprar, faz-lhe algo. Aposto que vai ser uma prenda ainda mais especial.
E, acima de tudo, não te esqueças do mais importante de tudo: ao ofereceres o presente, acompanha-o de um abraço sincero?  sentido.
Se não puderes comprar ou fazer m ais nada, esse pode até ser o único presente. Pode parecer-te pouco. À outra pessoa pode também parecer pouco a princípio. Mas… e se eu disser que esse presente irá deixar uma marca mais duradoura que qualquer um que possas embrulhar? Parece-te estranho, eu sei. Mas porque não tentas? Mas tenta de coração aberto, de outra forma não me darás oportunidade de mostrar que tenho razão.
Peço-te apenas um pequeno acto de fé. E nem é em mim, é em ti.
Depois me dirás… Ou não digas, se não o quiseres. Guarda o que sentires para ti. Mas depois não te esqueças desse pequeno fogo que te aqueceu o coração. E busca-o no resto do ano. Chama-o tantas vezes quantas as que quiseres e conseguires…!
Talvez no próximo ano já acreditem um pouco mais em mim. Ou talvez não. Mas eu ficarei feliz se já acreditarem um pouco mais em vocês!
Vou aproveitar ainda esta carta para falar também com outros meninos-adultos. Aqueles que não gostam das prendas que recebem e que, por isso, já desitiram de mim.
Entendo que às vezes seja frustrante pedir uma coisa e receber outra. Mas, sabem, eu gosto de dar prendas úteis. Úteis no sentido de ajudarem a conseguir algo – que devem sempre ser vocês a conseguir – ou no sentido de vos ensinarem algo.
Sei que não é assim que se entendem alguns presentes, à primeira vista. Mas agora que leram esta revelação, digam-me lá se, olhando para trás, não receberam presentes que traziam estas benesses atrás?
É esse o meu desafio: da próxima vez que receberem algo de que não gostem tanto, perguntem a vós mesmos o que pode aquele presente ensinar-vos ou trazer de bom, ao fim de um tempo!
E, finalmente, ainda há quem, por vezes, receba o famoso pedaço de carvão. Pois é, parece um presente pequeno, inútil e sem graça. Ainda por cima é associado aos meninos que se portam mal. Mas eu tenho a dizer-vos que não é essa a intenção. Eu não quero castigar-vos. O pedaço de carvão é apenas uma mensagem… Se um pedaço de carvão está apagado e sem vida, também é verdade que ainda não é cinza. E que com um pedaço de calor e um pouco de fogo, voltará finalmente à vida e ele próprio a produzir fogo e calor. E assim são também vocês. Assim somos todos nós, com o potencial de sermos chama viva. É esse o desafio que vos deixo, caso encontrem um pedaço de carvão no sapatinho: que o reavivem com a vossa luz. E não me digam que não a têm, porque têm! Pode até estar diminuída e mal se ver, mas não está extinta. E basta um pequeno sopro para que ela se reavive.
E isto vale para todos vocês, meninos-adultos. Mesmo para os que não receberam carvão. Nunca se esqueçam da vossa luz!
E para que ela se fortaleça, já acendi a luz do Natal e mando-a para todos, para que ilumine o vosso coração e lá viva durante todo o ano!
Feliz Natal!
S. Nicolau



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Desejo a todos um Feliz Natal e uma passagem de ano a adivinha um excelente ano novo!

Da minha parte, volto em 2015! :)


Este texto foi também publicado nos Instantâneos a preto e branco. para quem segue os dois blogs, pelo desculpa pela repetição, mas quis mesmo dar voz ao velhinho de barbas brancas! ;)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Escravo, quem te libertará?

Erik Charlton
"Se tivesses um escravo, libertá-lo-ias?" - Foi esta a pergunta de uma das personagens de um filme que vi há dias. 

Não te pergunto o mesmo. Pergunto-te antes, a ti que te sentes escravo e que sabes qual a resposta a esta pergunta... Sabes quem é a única pessoa que pode libertar-te, não sabes?"


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