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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Feliz Natal!!!

Foto: www.pixabay.com
Os meus votos de um Feliz Natal a todos os

 leitores e amigos 

d' Os dias em que olho o Mundo!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Páscoa

Não sendo católica praticante, a época de Páscoa que vivemos poderia passar-me ao lado ou ser apenas mais um feriado...

Mas não é assim. Este momento fala comigo, por várias razões. 

Uma delas, a história de Jesus, um Mestre que desde cedo na minha vida me inspira e que, de uma forma ou de outra, tem vindo a orientar os meus passos.

Num sentido mais abranjante, considerando a história desta comemoração nas várias culturas em que ela já se manifestou, associo a Páscoa a dois R's: Reflexão e Renovação.

E hoje, que o dia acordou solarengo e primaveril, a lembrar o segundo R, acordei eu com o seguinte pensamento: Estou pronta para as novas Renovações que aí vêm. 

Ainda não intuo todas, mas sei que elas vão chegar e que serão o Caminho! 

Agora que o dia finda, sinto a gratidão de quem olha para trás e entende que sim, existe já um Caminho feito, pleno de ensinamentos, auto-descoberta, superação e aceitação. Mas vejo também, sim, tudo ainda está para vir. E também por isso me sinto Grata.

Grata, Vida!

Foto: www.pixabay.com

sábado, 20 de dezembro de 2014

Carta do Pai Natal


Oh, Oh, Oh!
Olá, meninos adultos!!
Lembram-se de mim? Não, não estou a falar da figura no centro comercial, ou nos filmes de Hollywood ou impressa nos papéis de embrulho para o Natal…
Pergunto se se lembram de mim, o pai Natal, aquele a quem escreviam cartas a pedir um presente, o que estacionava o trenó no telhado e descia pela chaminé abaixo. O velhinho das barbas, eu mesmo!
Eu sei que alguns de vocês se lembram de mim. Vocês, que sorriem quando vêm as luzes de Natal a acenderem-se. E vocês, que voltam a ser crianças quando fazem a árvore de Natal e enquanto escolhem os enfeites. E vocês, que ao oferecerem presentes no Natal, sentem aquele calor no coração, igual ao que eu sinto na noite de Natal.
A vocês, eu poderia escrever, mas eu sei que vocês sabem que eu vos visito todos os Natais, e que vos deixo algo para afagar esse espírito que têm no coração. E vocês sabem também que estão dentro do meu coração.
Na realidade, esta carta é para os meninos adultos que já não se lembram de mim e, especialmente, para aqueles que nunca me escreveram.
Talvez alguns de vocês já se achem grandes demais para acreditar no Pai Natal e por isso não queiram perder tempo com todas essas coisas.
Bom, confesso-vos que isso me deixa um bocadinho triste… Porque o vosso lado criança é uma das melhores coisas que existem dentro de vocês. Não se lembram como eram felizes quando podiam ir brincar ou quando acreditavam que criaturas mágicas se escondiam no vosso jardim ou no vosso quarto? Lembram-se do que sentiam no Natal quando ouviam o “Oh, Oh, Oh”? Bem sei que agora há a azáfama toda, a correria para comprar todas as prendas antes do dia 24 – algumas no dia 24 – a preocupação a olhar para o extrato do Multibanco antes de ir comprar a seguinte. E depois, ainda falta comprar a comida para a ceia de Natal e preparar tudo. E, e, e…
E se parássemos só por um bocadinho? Pergunta-te: porquê toda essa preocupação? Não podes comprar o presente caro que querias? A pessoa a quem ias comprar vai ficar triste? Tu ficarás triste? Porquê? Já te perguntaste? Experimenta, pelo menos este ano, uma coisinha: compra o presente que podes comprar, mas compra algo que sabes que a outra pessoa vai gostar. Pode até ser algo simples. Se não puderes comprar, faz-lhe algo. Aposto que vai ser uma prenda ainda mais especial.
E, acima de tudo, não te esqueças do mais importante de tudo: ao ofereceres o presente, acompanha-o de um abraço sincero?  sentido.
Se não puderes comprar ou fazer m ais nada, esse pode até ser o único presente. Pode parecer-te pouco. À outra pessoa pode também parecer pouco a princípio. Mas… e se eu disser que esse presente irá deixar uma marca mais duradoura que qualquer um que possas embrulhar? Parece-te estranho, eu sei. Mas porque não tentas? Mas tenta de coração aberto, de outra forma não me darás oportunidade de mostrar que tenho razão.
Peço-te apenas um pequeno acto de fé. E nem é em mim, é em ti.
Depois me dirás… Ou não digas, se não o quiseres. Guarda o que sentires para ti. Mas depois não te esqueças desse pequeno fogo que te aqueceu o coração. E busca-o no resto do ano. Chama-o tantas vezes quantas as que quiseres e conseguires…!
Talvez no próximo ano já acreditem um pouco mais em mim. Ou talvez não. Mas eu ficarei feliz se já acreditarem um pouco mais em vocês!
Vou aproveitar ainda esta carta para falar também com outros meninos-adultos. Aqueles que não gostam das prendas que recebem e que, por isso, já desitiram de mim.
Entendo que às vezes seja frustrante pedir uma coisa e receber outra. Mas, sabem, eu gosto de dar prendas úteis. Úteis no sentido de ajudarem a conseguir algo – que devem sempre ser vocês a conseguir – ou no sentido de vos ensinarem algo.
Sei que não é assim que se entendem alguns presentes, à primeira vista. Mas agora que leram esta revelação, digam-me lá se, olhando para trás, não receberam presentes que traziam estas benesses atrás?
É esse o meu desafio: da próxima vez que receberem algo de que não gostem tanto, perguntem a vós mesmos o que pode aquele presente ensinar-vos ou trazer de bom, ao fim de um tempo!
E, finalmente, ainda há quem, por vezes, receba o famoso pedaço de carvão. Pois é, parece um presente pequeno, inútil e sem graça. Ainda por cima é associado aos meninos que se portam mal. Mas eu tenho a dizer-vos que não é essa a intenção. Eu não quero castigar-vos. O pedaço de carvão é apenas uma mensagem… Se um pedaço de carvão está apagado e sem vida, também é verdade que ainda não é cinza. E que com um pedaço de calor e um pouco de fogo, voltará finalmente à vida e ele próprio a produzir fogo e calor. E assim são também vocês. Assim somos todos nós, com o potencial de sermos chama viva. É esse o desafio que vos deixo, caso encontrem um pedaço de carvão no sapatinho: que o reavivem com a vossa luz. E não me digam que não a têm, porque têm! Pode até estar diminuída e mal se ver, mas não está extinta. E basta um pequeno sopro para que ela se reavive.
E isto vale para todos vocês, meninos-adultos. Mesmo para os que não receberam carvão. Nunca se esqueçam da vossa luz!
E para que ela se fortaleça, já acendi a luz do Natal e mando-a para todos, para que ilumine o vosso coração e lá viva durante todo o ano!
Feliz Natal!
S. Nicolau



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Desejo a todos um Feliz Natal e uma passagem de ano a adivinha um excelente ano novo!

Da minha parte, volto em 2015! :)


Este texto foi também publicado nos Instantâneos a preto e branco. para quem segue os dois blogs, pelo desculpa pela repetição, mas quis mesmo dar voz ao velhinho de barbas brancas! ;)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Liberdade, em Abril

Foto: Café Portugal



Liberdade. Esta palavra estava aqui a pedir-me caneta.
Pelo dia que é, certamente. Celebram-se 40 anos desde o dia em que Portugal gritou esta palavra ao som de “Grândola vila morena” e de “Depois do adeus”.
Nasci 5 anos depois de Abril e não sei vivê-lo como os militares e os militantes de Abril. Sei Abril pelos livros de história, documentários e séries históricas que têm feito presença na TV nos últimos tempos. Sei-o pelo que oiço contar de pessoas que viveram antes e depois de Abril. Que viveram a face que sempre me custará mais a compreender: a guerra colonial.
Juntando estes relatos, vejo pelo menos dois Portugais diferentes: o Portugal rural, onde uma sardinha era partilhada para dois. E a parte da cabeça, numa sardinha cortada acima do meio, era para quem a cortava. O Portugal dos homens que partiam, meses a fio, para trabalhar na capital. Dos meninos que com eles seguiam ainda cedo. Das meninas que ficavam para os trabalhos no campo, ajudando as esposas que ficavam.
Do campo que também conhecia a polícia política, que não queria desagravos com os agentes, a modo de não ser denunciado por algo que dissera, fosse com ou sem intenção.
E o Portugal das Universidades e de todos os meios onde a agitação e o inconformismo ia dormindo. E as prisões políticas, e o exílio. E ao longo de todo este Portugal, os livros da 1ªa e 4ª classe, ensinando como o Império é grande. Os livros que se liam debaixo da cruz pendurada na parede de frente para os alunos.
H´á muitas opiniões sobre Abril, uns acham que Abril se cumpriu, outros que ainda está por cumprir. Alguns que preferiam o tempo antes de Abril, outros que defendem que estamos melhor, ainda que o clima actual envolva alguma desilusão.
Eu que não sou filha de Abril, acho que Abril se cumpriu. Mas agora cabe a este Portugal que somos cumprir-se.

E, depois de Abril, sinto-me feliz por poder escrever estas palavras sem lápis azul.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Boas Festas!

Topo Gigio by Maria Perego Official FB Place


Hoje é dia 22 de Dezembro. Olho à volta e já vejo o Natal em todo o lado.
“Ainda não chegou a alguns corações…”, diz-me aquela pequena voz.”
“Não faz mal” – digo eu – Hoje está no meu, talvez um dia chegue a todos.”

Boas Festas a todos! Um Feliz Natal e um 2014 cheio de criatividade e de sonhos realizados!

Voltarei em Janeiro!



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Portugal

Xutos e Pontapés, o Homem do leme

Porque hoje é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Que não nos esqueçamos do melhor que fomos e podemos ser.


O Velho do Restelo, Camões

94
Mas um velho, de aspecto venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
95
- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
96
- "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!
97
- "A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?
Os Lusíadas, Canto IV, 94-97



O Mostrengo, Fernando Pessoa in A Mensagem

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou trez vezes,
Voou trez vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»


«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou trez vezes,
Trez vezes rodou immundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»


Trez vezes do leme as mãos ergueu,
Trez vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer trez vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quere o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei D. João Segundo!»

domingo, 5 de maio de 2013

Um feliz dia para as mães / A happy day for mothers

Foto da web


"Os braços de uma mãe são feitos de ternura e os filhos dormem profundamente neles."

Victor Hugo

Um feliz dia para todas as mães, as de ventre e as de coração!


*~*

"The arms of a mother are made of tenderness and their children sleep deeply  in them."

Victor Hugo
A happy day for all mothers, the ones of womb and the ones of heart! 

terça-feira, 19 de março de 2013

Do dia dos pais / From fathers day

Foto da web


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"O urso grande de peluche
que dei ao meu filho
está cada vez mais pequeno."



"The big teddy bear
I gave my son
is getting smaller everyday."



Daniel Maia-Pinto Rodrigues

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Também o urso que o meu pai me deu está mais pequeno agora. Eu cresci e ele não.
Mas felizmente o meu pai continua a ser gigante!

Um feliz dia a todos os pais!

.*.*.

And so the teddy bear my dad gave me is smaller now. I've grown up and he didn't.
But fortunattly my dad is still a giant!

A happy day to all fathers!




sexta-feira, 8 de março de 2013

A mulher mais bonita do Mundo


Para todas as grandes mulheres que conheço! E para os homens que as sabem reconhecer 


estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.


José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Natal da menina de tranças loiras / The Christmas of the girl with blonde braids

O Natal da menina de tranças loiras

No início deste mês, fui visitar os meus pais e ofereci-me para enfeitar a árvore de Natal deles.
Quando peguei no pinheiro natural (que ainda utilizam) lembrei-me dos meus Natais de há muitos anos e decido que iria também fazer o presépio com musgo, como fazia quando era criança.
Armada com um pequeno balde e uma espátula improvisada, lá parti na minha missão.
A primeira coisa de que me apercebi é de que aquele lugar onde costumava apanhar o musgo mais bonito já não existe. Em parte consumido pela limpeza humana e em parte pela limpeza impiedosa do fogo. Já antes tinha sentido falta daquele lugar, que não era mais do que uma espécie de túnel formado por várias árvores, arbustos e muitas plantas rasteiras. Gostava de me aventurar por lá, entrar numa ponta, fingir que era um labirinto, e que era assustador, com a sua luz lusco-fusco, e, finalmente, sair do outro lado. Bom, sempre tive uma imaginação fértil.
E depois percebi que nos outros locais também já não se via musgo, talvez consequência das mudanças climáticas.
Mas, graças à minha teimosia e à inesperada paciência do meu pai para me acompanhar na busca. Lá consegui encontrar algum musgo. E, à minha mãe, que ao que parece ainda não perdeu o jeito para encontrar musgo, e que conseguiu completar-me o espólio.
Dediquei-me à tarefa e, quando já estava a terminar, o pinheiro cedeu aos enfeites de Natal e caiu gloriosamente no chão.
Senti-me a começar a desanimar, a minha empresa começava a afigurar-se uma ideia quimérica.
Mas lá arranjei outro suporte e recomecei.
E, desta vez, tudo correu bem, a árvore manteve-se no seu suporte e consegui ter o meu presépio. O musgo é menos verde e vivo do que costumava ser e ficou mais pequeno que era meu hábito.
Mas por vezes, mesmo que não tenhamos o Natal que queríamos, podemos ter o Natal que precisamos.
E eu estava a precisar revisitar o Natal das minhas memórias (que recordei aqui ).

Feliz Natal e Bom Ano Novo!

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Earlier this month, I went to visit my parents and I volunteered to decorate theirs Christmas tree.
When I saw the natural pine tree (which they still use) it reminded me of my Christmases of many years ago and I decided that I would also make the crib with moss, as I did when I was a child.
Armed with a small bucket and an improvised trowel, there I went on my mission.
The first thing I realized is that the place where I used to catch the most beautiful moss no longer exists. Partly consumed by human cleaning and partly by the cleaning of the unmerciless fire. I had missed that place before, which was no more than a kind of tunnel formed by several trees, shrubs and many creepers. I liked to venture there, get in by one end, pretend it was a maze, and that it was scary, with its twilight athmosfhere, and finally got out the other side. Well, I've always had a vivid imagination.
And then I realized that in the other sites there was also no more moss, perhaps a consequence of climate change.
But thanks to my stubbornness and the unexpected patience of my father to accompany me in the search., I found some moss. And my mother, who apparently has not lost her talent for finding moss, managed to complete the spoils me.
I devoted myself to the task, and when it was finished, the pine yielded to Christmas ornaments and gloriously fell on the floor.
I was beginning to lose heart, my business began to seem chimerical idea.
But then I got other base for the tree and restarted.
And this time, everything went well, the tree remained in its holder and I could have my crib. The moss is less green and alive than it used to be and it was smaller than was my habit.
But sometimes, even if we don’t have the Christmas we wanted, we could have the Christmas we need.
And I needed to revisit my memories of Christmas (which  I alreday recalled here ).

Merry Christmas and a Happy New Year!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia da criança / Children's Day

Dia da criança. Dia das crianças de hoje.  Mas também pode ser das crianças que fomos? Permitem-me que faça uma pequena viagem ao passado? Acompanham-me?
Neste pequeno acesso de saudosismo tive vontade de recordar não exactamente momentos da minha infância, mas sim de vos mostrar algumas das minhas memórias das coisas de que gostava.
A primeira memória é de uma música, o genérico de um programa de televisão: “vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida”. Foi esta a primeira música que me surgiu quando quis evocar músicas da minha infância, seguida de “ La vie, la vie”, genérico original de “Era uma vez a vida” Uma série pedagógica, mas não menos lúdica por isso, sobre o corpo humano, sobre a vida. As bactérias e virús eram vilões, combatidos pelos heróis glóbulos brancos, que andavam acompanhados pelos vermelhos, todos comandados por um simpático avô de barbas brancas. Era também uma série sobre os bons e os maus e,  ao jeito das séries para crianças, os bons acabavam por ganhar.
Uma outra série me marcou, e confesso que não me lembrava do nome (David, o gnomo), embora me lembre muito vividamente dos personagens. Lembro-me dos chapéus pontiagudos dos gnomos de faces rosadas, que viajavam nas asas dos gansos. E mais uma vez, os vilões: os trolls, de nariz batatudo e com um ar triste, como só o poderiam ter os vilões.
E ainda “O pequeno pónei”. Para além da TV, este foi um dos dois brinquedos “em massa”, que tive, este e um Topo Gigio, que me olhava por cima da cabeceira da cama. Passei meses a pedir um “pequeno pónei” aos meus pais. E, no Natal, num dos embrulhos que investigava sem nunca abrir antes da hora, lá estava. Um pequeno pónei, com crinas coloridas, uma cauda comprida, uma pequena escovinha para as pentear e ganchinhos, um deles em forma de borboleta cor-de-rosa. Ainda os guardo, o meu pequeno pónei e o irresístivel Topo Gigio, guardo-os no sótão da minha casa, da casa onde fui criança.
E se hoje não consigo escolher um livro favorito, quando era criança sabia qual era:  “A fada Oriana”.  A fada Oriana era vaidosa, e por causa disso, um dia perdeu as asas. Como fica triste, uma fada que perde as asas… Mas precisava de as perder, para crescer. Precisava lembrar-se de quem era, uma fada boa, para recuperar as asas.
Com a lembrança da história de Sophia, deixo um sorriso a todas as crianças. Um maior aos meus sobrinhos e sobrinhas “emprestados”. 

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E para recordar,  não resisto a transcrever o início d' A fada Oriana:
Há duas espécies de fadas:  as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más. As fadas boas regam as flores com orvalho, acendem o lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos e,  à  noite, põem moedas de oiro dentro dos sapatos dos pobres. As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol  a secar,  desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam o dinheiro dos pobres. Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas, toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas,  de flores, de frutos e de pássaros a cantar. Quando uma fada má  vê  uma  árvore  cheia  de  folhas,  de  flores, de frutos e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado, e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.
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Children's day. Of today's children.  But maybe it can be of the children we were?  Will you allow me to make a trip to the past? Will you come with me?
Going through memory lane, I've wanted to to recall, not moments of my childhood, but, more excatly, show you some of the memories of the things I enjoyed. 
My first memory is that of a song, the opening of a TV show: “vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida”. This was the first song I though about when I called for musics of my childhood, followed by “  La vie, la vie ”, original song of the series with the same name. A pedagogical series, but not less entertaining because of it, about the human body, about life. The viruses and bacterias were vilans, fought by the heroes, the whithe blood cells, acompained by the  red blood cells, all headed by a nice grandpa with a white beard. This was also a show about the good and the evil, and, like in all children shows, the good guys ended up winning. 
There's another series I remeber dearly (David, o gnomo), and, though I must confess I didn't remember it's name, I remember the characters very well. I remember the pointy hats of the pinky faces gnomes, who traveled in the wings of goose. And once again, the vilans: the trolls, witha funny nose and a sad look, a look that only vilains could have.
And  also "The little pony." Apart from TV, this was one of two "mass" toys I had , this one and Topo Gigio, wich  looked at me over the headboard. I spent months asking for a "little pony" to my parents. And at Christmas, this was one of the presents I investigated without ever opening it. And on Christmas  Night there it was.  A little pony, with colourfull horsehair,  a long tail, a small brush for styling and hooks, one pink butterfly-shaped. I still  keep them, my little pony and Topo Gigio, I keep them in the attic of my house, the house where I was a child.
And if today we can not pick a favorite book as a child, I knew what it was: "A fada Oriana." The fairy Oriana was vain, and because of that, one day she lost her wings. How sad, a fairy loses its wings ... But she needed to lose them, in order to grow up. SheI needed to remember who she was, a good fairy, to recover her  wings.
With the memory of the story of Sophia, I’m leaving a smile to all children.  A big one to  my "borrowed"nephews and nieces.

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I can not resist transcribing the beginning of the story “A fada Oriana”:
There are two kinds of fairies, good fairies and bad fairies. The good fairies do good things and bad fairies do bad things. The good fairies water the flowers with dew, light the fire of old men, hold the children going down the river, enchante the gardens, dance in the air, make up dreams at night, put gold coins in the shoes of the poor . The bad fairies dry up the fountains, put off the campfire of the shepherds, tear off the clothes which dry in the sun, disenchant the gardens, tease children, torment animals and steal the money of the poor. When a good fairy see sa dead tree with no leaves and twigs,  she touches it with her your magic wand and instantly the tree is covered with leaves, flowers, fruits and birds singing. When an evil fairy  sees a tree full of leaves, flowers, fruits and birds singing,  she touches it with his wand of bad fate, and at once an icy wind ripped the leaves, fruit rots, the flowers wither and the birds fall dead on the floor.
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Liberdade / Freedom

Libertad de Zenós Frudakis
http://en.wikipedia.org/wiki/Zenos_Frudakis
"Libertad", uma escultura de Zenós Frudakis, que pode ser vista em Filadélfia. Este artista conseguiu que estas esculturas pareçam vivas. Conseguiu também aqui retratar vários aspectos da palavra "Liberdade":


Alguém que permanece imóvel, sem demonstrar querer sair do lugar que lhe reservaram.
Aquele que se libertou, que corre mostrando a sua Felicidade.
Uma figura que estica o braço na sua direcção, parecendo querer fazê-lo regressar.
E outro alguém que começa a mover-se, talvez incentivado pela rebeldia.


Parecem-me retratadas a maioria das faces da Liberdade, sem dúvida. 

.-.-.-.-.


"Libertad", a sculpcture by Frudakis, which can be seen in Philadelfia. This artist has made seem as if the statues are alive. He also managed to show several aspect of the word "Hapiness":


Someone who stays in it's place, not seeming to want to leave the place assigned to him.
The one who got himself free, running and showing his happiness.
A figure who stretches his arm in it's direction, as if he want's to make him came back.
And yet, someone else, to starts to move, perhaps motivated by the rebellion.


Yes, most of Freedmom's faces seem to be here, definatly.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Memórias de Natal / Chistmas memories

Foto: Isa Lisboa
Costumava ir com a minha mãe cortar um pinheirinho para o Natal, e depois apanhar musgo para fazer o presépio. Inevitavelmente voltava destas aventuras com a roupa um pouco molhada e com as mãos impregnadas de terra e resina. Mas com o meu sorriso de criança bem aberto.
Seguia-se a colocação da árvore no sítio mais bem escolhido. As luzes, as fitas de Natal com muitas cores, bolas e sinos brilhantes, uma estrela de papelão colorido.
Depois, espalhava o musgo pelo chão, juntava os pedaços num puzzle perfeito. Precisava de um manto verde extenso, o espaço parecia ser sempre curto para colocar todos os participantes do presépio. A cabana onde colocava o berço, com uma estrutura improvisada cada ano, e coberta com os pedaços de musgo mais bonito. Aos Reis Magos, juntavam-se o pastor, com as suas ovelhas brancas, o pescador ao lado de uma ponte... e se existia uma ponte, era preciso retirar um pedaço de musgo para transformar um simples plástico azul ou um velho espelho num rio. Ao fundo, o castelo, que estava num monte, também ele construído com o que existia à mão, e coberto por musgo, mantendo o efeito. A ligar estas personagens, umas mais improváveis que outras, um caminho de neve, inventado com produtos da despensa lá de casa.
As prendas aconchegavam-se ao lado da árvore. Sentia uma imensa curiosidade infantil que me levava a pegar nas prendas, sentir o formato, abaná-las. Tentava perceber o que se escondia dentro do papel de fantasia, mas nunca abria as prendas antes do tempo. Gostava da antecipação, deste pequeno jogo de adivinhação.
Lembro-me bem deste pequeno combate que travava com a minha curiosidade, com a vontade de descobrir o mistério. E do cheiro a terra molhada, não o cheiro a terra molhada do verão, a terra molhada que vinha agarrado ao musgo e o cheiro a pinhal que ficava na minha sala. Tudo isso dava mais brilho ao conjunto.
Lembro-me do aroma dos fritos de abóbora, a minha missão em criança era a de adoçá-los com canela e açúcar, que misturava meticulosamente, procurando a dose certa de cada um. E lembro-me do cheiro do café,  que ainda não podia provar. Anos depois, apenas gostava daquele café com os doces de Natal.
São estas recordações que ainda me fazem gostar tanto do Natal, ainda que já use menos fitas e que o meu presépio seja agora mais pequeno. Mas só os acessórios de Natal diminuíram. Continuo a enfeitar o cantinho da minha sala - agora no meu apartamento da cidade - com o mesmo sorriso de antes, com a mesma ansiedade para ligar as luzes e vê-las a piscar, a mostrar que o Natal vem aí. Continuo a misturar a canela com o açúcar...
É talvez a lembrança da Felicidade pura de quando somos crianças. Mas também a Felicidade que ainda consigo ver nos adultos nesta altura.
É uma altura em que as pessoas são mais solidárias, mais disponíveis para estar um pouco com os outros. Dizem alguns que nesta altura todos fazem num mês o que deviam fazer durante todo o ano, e que é uma época de consumismo. Sim, isso também é verdade, mas ainda vejo o espírito verdadeiro de Natal em algumas pessoas. Ainda existem pessoas que sabem que um abraço, um sorriso, uma mão, um ombro, uma palavra simpática, valem infinitamente mais que um presente embrulhado. E é isso que faz o Natal e é por isso que gosto genuinamente desta altura do ano.
E em cada noite de Natal, mesmo agora já crescida, consigo por um momento lembrar-me daquela criança loira, sentada no chão, a olhar para as luzes de Natal a piscar, simplesmente e apenas feliz.
Deixo aqui o meu simples desejo de Natal: que nos lembremos de como uma pequena luzinha nos pode fazer felizes, nem que seja apenas por uma noite.

Um Bom Natal para todos, e muitas Felicidade para 2012. 
Muito especialmente a todos aqueles que, por existirem na minha vida, fazem do Natal e, especialmente, de cada dia, uma ocasião especial.

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I used to go out with my mother and cut a pine tree for Christmas , and then get some moss to the Crib. Inevitably I would came back from these adventures with my ckothes somewhat wet and my hands full with dirt and resin. But with with my children's smile wide open.
Next, I would have to place the tree in the best spot. The lights, the Christmas ribbons with lots of colours, brifgt spheres and bells, a star made of colourfull cardboard.
Then, I would spread the moss on the floor, gathering the pieces in a perfect puzzle. I needed a big green cloth, the space always seemed too short to put all the participants in the Crib. The shed where I placed the cradle, with an improvised structure every year, and covered with the most beautifull pieces of moss. The Magicians Kings, would get be acompanied by the shephard, with his white sheeps, the fishermen beside a bridge...and if there was a bridge, then I would need to take a piece of moss out, in order to turn a simple piece of blue plastic or an old mirror into a river. Further away, the castle, in a hill, that one also built with the material at hand, covered with green, keeping the effect. Connecting this carachters, some more unlikely than others, a snow path, made up with the products from the house storeroom.
The presents were place beside the tree. I felt an enourmous childhood curiosity that lead me to take the presents, feel it's shape, shake them. Trying to figure out what was hidden inside the fantasy paper, but I would never open the presents before time was up. I enjoyed the antecipation, this small divination game.
I remenber this small fight I would have with my curiosity, with the will to find the mistery. And the smell of wet land, not the onde in the sommer, but the wet land on the moss and the smell of pine tree left in my living room. All this would make the set glow. I remember the smell of pumpkin fried sweets, my mission as a child was to sweeten them with cinnamon and sugar, ingredients I would mix carefully. And I remember the smell of coffee, I could not taste yet. Years later, I only enjoyed that coffee with those Christmas sweets.
These are the memories that still make enjoy Christamas so much, eventhough with less ribbons and that my Crib is now smaller. But the Christmas acessories have decreased. I still make the Christmas tree in my corner - now in flat in the city - with the same smile as before, with the same anxiety to turn on the lights and see them blink, showing that Christmas is coming. I still mix the cinnamon with the sugar...
Perhaps this feeling is about the memories of pure Happiness, when we are children. But also the Happiness I can still see in grownups at this point.
People become more solidary, more available to be with eachother. Some say that at this time of the year, everyone does what they should have done during the year, that this is a time of consumerism. Yes, thar is also true, but I can still see the real Chistmas spirit in some people. Some people know that a hug, a smile, a hand, a shoulder, a nice word, are infinetly more valuable than a wrapped present. That's what makes Christmas and that's why I genuanly like this time of the year.
And in each Christmas Eve, even now all grown up, I can - for a moment - remember about that blonde child, seaten on the floor, looking at the Christmas lights blinking, simply and just... happy.
Here's my simple wish for Christmas: let us remember about how a small little light can make us happy, even that it is only for one night.

A Merry Christmas to everyone, and all the Happiness in 2012.
Specialy to all those who, for being a part of my life, make Christmas and, specially, each day, a special occasion.


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